Tubo PEAD PE100 RC em obra de longa distancia - alta durabilidade e resistencia a slow crack

Tubo PEAD PE100 RC: quando especificar e quais normas aplicar

Tubo PEAD PE100 RC para instalacao por HDD e metodo sem vala - Mininco

O PE100 RC e um grade especifico de polietileno de alta densidade que vai alem dos requisitos de pressao da ISO 4427. Enquanto o PE100 convencional ja atende volumes elevados de saneamento e infraestrutura urbana, determinadas condicoes de instalacao e de solo exigem resistencia adicional ao trincamento lento sob tensao (SCR - Slow Crack Resistance) que so o PE100 RC oferece.

Engenheiros especificadores que atuam em projetos com metodo nao destrutivo (MND), HDD, relining ou em solos contendo pedregulhos e fragmentos rochosos encontram no PE100 RC a resposta tecnica para garantir a integridade da rede ao longo de toda a vida util projetada, tipicamente 50 ou 100 anos conforme ISO 12162.

Este guia detalha quando o PE100 RC deve ser especificado em lugar do PE100 convencional, quais normas embasam a exigencia e como incluir o material corretamente em memoriais descritivos e editais de licitacao.

O que diferencia o PE100 RC dos demais grades de PEAD

O sufixo RC vem do ingles Resistant to Crack, indicando que a resina atende criterios mais rigorosos de resistencia ao trincamento. Todos os grades PE100 sao avaliados pelo Minimo Requisito de Resistencia (MRS) de 10 MPa pela ISO 9080, mas o PE100 RC vai alem ao exigir desempenho superior em dois ensaios especificos:

  • FNCT (Full Notch Creep Test - ISO 16770): avalia o tempo ate a ruptura de um corpo de prova entalhado sob carga constante a 80 graus C em solucao tensoativa. O PE100 RC exige resultado maior ou igual a 8760 horas a 4,6 MPa.
  • Ensaio SP (ISO 13479): tubo com entalhe externo testado a pressao interna constante. O PE100 RC exige tempo de ruptura significativamente superior ao do PE100 convencional.

Na pratica, quando um tubo PE100 RC encontra uma saliencia pontual durante HDD ou ao longo da vida util enterrada, a propagacao lenta de trinca e muito mais resistida. Esse comportamento e fundamental em solos nao preparados e em instalacoes sem vala, onde o controle granulometrico do entorno e impossivel ou limitado.

Aplicacoes onde o PE100 RC e mandatorio ou tecnicamente recomendado

O PE100 RC nao substitui o PE100 em todas as obras. A especificacao correta depende das condicoes de instalacao e do solo:

  • HDD (Horizontal Directional Drilling): o tubo e puxado por centenas ou milhares de metros atraves do solo. O atrito e os pontos de contato irregulares concentram tensoes superficiais que, em PE100 convencional, podem iniciar trincas lentas ao longo do tempo.
  • Cravacao direcional (pipe-bursting e pipe-splitting): o tubo novo e inserido simultaneamente a fratura do antigo. As forcas de expansao criam cargas de impacto e pontuais na superficie externa do tubo.
  • Relining: mesmo com folga anular, o tubo interno pode ser solicitado por pontos de apoio irregulares do tubo hospedeiro deteriorado.
  • Solos com pedregulhos, macadame ou fragmentos de rocha: nesses solos, mesmo em valas abertas, o PE100 RC e recomendado para diametros acima de DN 200 com SDR 11, conforme pratica publica do setor.
  • Adutoras com alta pressao interna e grande profundidade de cobertura: a combinacao de PN elevada e cargas externas de solo aumenta a tensao de parede acima do limiar onde o SCR se torna relevante.

Em adutoras com vala com areia de assentamento adequada e solo sem pedregulho, o PE100 convencional conforme NBR 15561 e suficiente. O PE100 RC e um diferencial tecnico justificado pelo risco de campo, nao um upgrade indiscriminado para todas as obras.

Normas de referencia: PAS 1075, DIN 16833 e ISO 4427

A especificacao do PE100 RC se apoia em um conjunto de documentos normativos que o engenheiro deve conhecer para sustentar a exigencia em edital e em memoriais descritivos:

  • PAS 1075 (Beuth/DVGW): especificacao publica que define os criterios de SCR para PE100 RC em sistemas de agua e saneamento. E a referencia mais adotada internacionalmente, inclusive em editais brasileiros de saneamento e infraestrutura.
  • DIN 16833: complementa a PAS 1075 para tubos de gas combustivel em PE100 RC. Tambem referenciada em projetos de gas natural distribuido.
  • ISO 4427 (serie): norma base para sistemas de tubulacao plastica em distribuicao de agua. Define requisitos de PN, SDR e dimensoes. O PE100 RC deve atender todos os requisitos da ISO 4427 e adicionalmente os da PAS 1075.
  • NBR 15561: equivalente brasileiro da ISO 4427 para tubos e conexoes PEAD em agua pressurizada. Editais nacionais obrigam atendimento a esta norma; a PAS 1075 e adicionada como exigencia complementar de SCR.
  • ISO 16770 e ISO 13479: normas dos ensaios FNCT e SP que quantificam a resistencia ao SCR. Os certificados de conformidade do fabricante devem reportar os resultados dessas normas para cada lote.

Tabela de SDR, PN e espessura de parede para PE100 RC

A tabela abaixo sintetiza os valores praticos para PE100 RC em sistemas de agua, conforme ISO 4427-2 e PAS 1075. O SDR determina a PN nominal e a espessura absoluta de parede, que impacta diretamente o desempenho no ensaio SCR.

SDR PN (bar) PE100 RC Aplicacao tipica Espessura de parede (DN 110 mm)
SDR 7,4 PN 25 Alta pressao, solo rochoso 14,9 mm
SDR 9 PN 20 HDD com pressao elevada 12,2 mm
SDR 11 PN 16 HDD pressao media - SDR minimo recomendado para MND 10,0 mm
SDR 13,6 PN 12,5 Distribuicao com vala, solo com pedregulho 8,1 mm
SDR 17 PN 10 Relining (verificar colapso externo) 6,5 mm

PN calculado com MRS = 10 MPa, C = 1,25 conforme ISO 12162. Para PE100 RC em gas (DIN 16833), aplicar fator de projeto C = 2.

Como incluir o PE100 RC em edital e especificacao tecnica

A correta redacao do edital e do memorial descritivo garante que o material entregue em obra seja de fato PE100 RC e nao PE100 convencional. A pratica publica do setor indica os seguintes elementos obrigatorios:

  1. Declaracao de grau: inserir no item de material: Tubo PEAD, grau PE100 RC, conforme PAS 1075 e NBR 15561.
  2. Requisito de ensaio FNCT: exigir resultado de FNCT maior ou igual a 8760 horas a 80 graus C / 4,6 MPa conforme ISO 16770 para cada lote.
  3. Certificado de conformidade PAS 1075: declaracao do fabricante ou de organismo certificador de terceira parte.
  4. Marcacao no corpo do tubo: exigir indicacao RC apos o grau, por exemplo: PE100-RC SDR 11 PN 16 NBR 15561.
  5. Vedacao de equivalencia: clausula que impeca substituicao por PE100 convencional sob alegacao de equivalencia tecnica sem demonstracao dos ensaios SCR da PAS 1075.

Editais bem redigidos neste ponto reduzem contestacoes na fiscalizacao e protegem o patrimonio da concedente ao longo da vida util da rede.

Diagrama de instalacao de tubo PEAD PE100 RC por HDD com lama bentonita

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Normas que valem

  • NBR 15561: tubos e conexoes PEAD para agua pressurizada no Brasil.
  • ISO 4427: sistemas de tubulacao plastica em polietileno para abastecimento de agua.
  • ISO 12162: materiais termoplasticos para tubulacao pressurizada.
  • ISO 16770: determinacao do comportamento ao trincamento lento (FNCT).
  • ISO 13479: resistencia ao crescimento de trinca pelo ensaio SP.
  • NBR 14162: tubos e conexoes de polietileno para redes de gas combustivel.
  • PAS 1075 (Beuth/DVGW): criterios de SCR para PE100 RC em sistemas de agua e gas.
  • DIN 16833: tubos PEAD PE100 RC para gas combustivel.

Perguntas frequentes

Tubo PEAD PE100 RC pode ser usado em HDD e cravacao direcional?

Sim. O PE100 RC foi desenvolvido para metodos sem vala, como HDD, cravacao direcional e relining. Sua resistencia superior ao trincamento lento (SCR) e ao impacto permite suportar os esforcos abrasivos do lencol de lama bentonita e as forcas de tracao do puxamento sem comprometer a integridade do tubo.

Qual a diferenca entre PE100 e PE100 RC para especificadores?

Ambos atendem ISO 4427 e NBR 15561 para pressao. A diferenca esta na resistencia ao trincamento lento sob tensao (SCR), avaliada pelo ensaio FNCT (ISO 16770) e pelo ensaio SP (ISO 13479). O PE100 RC exige desempenho superior nesses ensaios conforme PAS 1075 ou DIN 16833, tornando-o mandatorio em instalacoes sem vala e em solos com pedregulhos.

Quais normas certificam o PEAD PE100 RC no Brasil?

O PE100 RC nao possui norma ABNT propria. A referencia internacional e a PAS 1075 (Beuth/DVGW), complementada pela DIN 16833 para tubos de gas. No Brasil, editais de saneamento referenciam a PAS 1075 junto com a NBR 15561 ou NBR 14162, exigindo conformidade com os criterios do ensaio FNCT.

PE100 RC exige soldagem diferente do PE100 convencional?

Nao. O PE100 RC usa os mesmos processos de termofusao por topo (DVS 2207-1, ASTM F2620) e eletrofusao (ISO 13954) que o PE100 convencional. Os parametros de temperatura, pressao e tempo seguem as mesmas curvas. O diferencial e a rastreabilidade: o instalador deve exigir certificado do lote com resultados dos ensaios SCR conforme PAS 1075.

Como declarar PE100 RC em edital conforme NBR 15561?

A pratica publica do setor e incluir na memoria descritiva a exigencia de material com grau PE100 RC, referenciando a PAS 1075 para os criterios de SCR. Na planilha de materiais, adicionar: tubo PEAD PE100 RC, SDR conforme projeto, com ensaio FNCT maior ou igual a 8760 h a 80 graus C / 4,6 MPa conforme ISO 16770. Isso impede substituicao por PE100 convencional.

Qual o SDR minimo recomendado para PE100 RC em metodo sem vala?

A PAS 1075 e a pratica do setor recomendam SDR 11 como valor maximo (parede mais espessa) para HDD e cravacao. Em relining, SDR 17 pode ser aceito desde que a analise estrutural confirme espessura suficiente apos reducao do anel rigido. O projeto deve considerar o colapso externo durante o puxamento e nao apenas a PN interna.

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