Soldador instalando tubo PEAD em trincheira de saneamento urbano

PE100 vs PE80 em saneamento: como escolher a classe certa

Tubo PEAD PE100 DN 160 PN 16 SDR 11 em barra de 6 metros, estoque Mininco

Na hora de especificar tubo PEAD para uma rede de saneamento, duas classes aparecem no edital: PE80 e PE100. A diferença está em um número chamado MRS (Minimum Required Strength), que define quanto o material aguenta de tensão por 50 anos a 20°C. PE80 entrega 8,0 MPa. PE100 entrega 10,0 MPa. Parece só 25% de ganho nominal, mas no projeto real isso vira economia de parede, de peso e de custo de instalação.

O que o MRS muda na prática

A espessura de parede de um tubo de pressão é calculada em cima do MRS. Com PE100 valendo 25% mais, você chega à mesma PN com parede mais fina, ou chega a PN maior mantendo a mesma parede. Isso significa, na prática:

  • Menos resina por metro e menos peso por barra.
  • Mais barras por caminhão e frete mais barato.
  • Içamento mais leve na obra, com menos mão de obra.
  • Seção hidráulica interna maior para o mesmo DN externo, o que melhora a vazão.

Em uma adutora de vários quilômetros, esses centímetros cúbicos de resina a menos viram caminhões a menos e dias a menos de obra.

Onde PE100 já é padrão

Para as aplicações abaixo, PE100 é o padrão atual de mercado e de norma:

  • Redes de água potável sob pressão, conforme NBR 15561.
  • Adutoras e subadutoras em PN 10 e PN 16, onde a diferença de custo mais se paga.
  • Emissários de esgoto pressurizado e linhas de recalque, em que vida útil e resistência à propagação lenta de trinca são decisivas.
  • Distribuição de gás natural em baixa pressão, pela NBR 14162.

PE80 só aparece nesses contextos em troca pontual de trecho já existente. Projetar saneamento público novo com PE80 hoje é ir contra a prática do setor.

Onde PE80 ainda faz sentido

  • Rede existente em PE80 com reposição pontual, por compatibilidade de solda e estoque.
  • Ramais prediais de baixa pressão e baixo diâmetro (DN 20 a DN 50), onde o ganho de parede do PE100 não se converte em economia relevante.
  • Irrigação e linhas agrícolas de pressão baixa, normalmente PN 6, em que o especificador prefere manter a classe que já roda no estoque.

Para tudo que é saneamento público novo, a decisão deixou de ser técnica. É normativa.

Soldagem e conexões

PE100 é soldável com PE100 e com PE80. Os processos são os mesmos das redes atuais:

  • Termofusão de topo para diâmetros a partir de DN 63.
  • Eletrofusão com luvas, joelhos e tês com resistência embutida. Obrigatória em caixas, poços de visita e pontos sem espaço para máquina de topo.

Joelho 90° por eletrofusão SDR 11 PE100 DN 110, conexão padrão para redes de saneamento

O que muda é o parâmetro de soldagem. Temperatura, pressão e tempo de resfriamento seguem a classe do tubo. Soldador tem que saber o que está soldando. Em obra mista, o mais seguro é padronizar PE100 em toda a rede e evitar junção PE80 com PE100 fora de ponto controlado e inspecionado.

As conexões PEAD por eletrofusão que entregamos são todas PE100 SDR 11, compatíveis com qualquer rede PE80 ou PE100 de mesmo DN nominal.

Custo por metro e custo total

No balcão, um metro de tubo PE100 custa mais caro que um metro de PE80 de mesmo DN e mesma PN. A diferença varia entre 5% e 15% dependendo do diâmetro. Quando você olha o custo total da rede instalada, PE100 ganha em três frentes:

  1. Parede mais fina na mesma PN, o que reduz resina, peso e frete.
  2. Mesma parede em PN maior, o que atende pressão de ensaio mais alta sem subir de bitola.
  3. Vida útil projetada igual na norma, mas com margem real maior e menor risco de substituição precoce.

A conta fecha mesmo em projetos médios. Em redes grandes, PE100 vira default por motivos de contrato, não só de engenharia.

PE100 RC, quando entra

PE100 RC (Resistant to Crack) é uma variante do PE100 com resistência superior à propagação lenta de trinca. Especificada quando o tubo vai trabalhar sem cama de areia, assentado em solo rochoso, ou em travessia sem vala por perfuração direcional. A norma de referência é PAS 1075 (reeditada como DIN 16833 a partir de 2021).

Se o seu projeto tem qualquer um desses casos, a especificação não é mais PE100, é PE100 RC. A diferença de preço fica na faixa de 20% a 30% sobre o PE100 comum. Para perfuração direcional ou assentamento direto em solo rochoso, compensa.

Tabela de especificação rápida: SDR x PN

A relação entre SDR (Standard Dimension Ratio), pressão nominal (PN) e classe de resina define a especificação prática em planta. Quanto menor o SDR, mais espessa a parede e maior a PN suportada. Para o mesmo SDR, PE100 suporta uma PN mais alta que PE80.

SDR PN PE100 (bar) PN PE80 (bar) Aplicação típica
7,4 25 20 Alta pressão, linhas industriais
9 20 16 Redes de distribuição pressurizadas
11 16 12,5 Água, gás, sistemas industriais
13,6 12,5 10 Redes de distribuição de água
17 10 8 Adutoras, saneamento
21 8 6 Irrigação, linhas de baixa pressão
26 6 5 Esgoto pressurizado, drenagem
33 5 4 Drenagem, revestimento (relining)
41 4 3,2 Sistemas por gravidade, drenagem pluvial

Fórmula: SDR = OD / e, onde OD é o diâmetro externo nominal e e é a espessura mínima de parede. Tabela válida a 20°C, conforme NBR 15561 e ISO 4427. Valores alinhados com a referência pública da Agru Brasil.

Espessura de parede por DN (PE100, mm)

Os SDRs mais usados em saneamento são 11, 17 e 26. A tabela abaixo traz a espessura mínima de parede por DN, para os três SDRs mais recorrentes em edital.

DN (mm) SDR 11 SDR 17 SDR 26
63 5,8 3,8 2,5
110 10,0 6,6 4,2
160 14,6 9,5 6,2
200 18,2 11,9 7,7
250 22,7 14,8 9,6
315 28,6 18,7 12,1
400 36,4 23,7 15,4
500 45,5 29,7 19,2
630 57,2 37,4 24,2
800 72,7 47,4 30,8
1000 90,9 59,3 38,5

Série completa de DN padronizada inclui também 20, 25, 32, 40, 50, 75, 90, 125, 140, 180, 225, 280, 355, 450, 560, 710, 900, 1200, 1400 e 1600 mm.

Como especificar em edital

O bloco mínimo que um projetista coloca em descritivo de produto para uma rede nova hoje é:

Tubo PEAD PE100, PN 10, SDR 17, diâmetro externo DN (valor) mm, em conformidade com NBR 15561, barra de 6 metros, junta por termofusão de topo ou eletrofusão, acessórios compatíveis em PE100 SDR 11.

Para redes de baixa pressão em diâmetros pequenos, PN 6 SDR 26. Para adutoras com carga de coluna alta, PN 16 SDR 11. O resto da especificação (cor, marcação, certificação do fabricante) segue o edital.

Nossos tubos PE100 em estoque

Luva por eletrofusão SDR 11 PE100 DN 110, compatível com redes PE80 e PE100

Linha completa de tubos PEAD PE100 em barra de 6 metros para as PNs padrão do saneamento:

A coleção de infraestrutura cobre tubos, conexões, colarinhos e acessórios de obra para saneamento, mineração, energia e construção pesada.

Normas que valem

  • NBR 15561, tubos PE para adução e distribuição de água sob pressão.
  • NBR 14162, tubos PE para gás combustível.
  • ISO 4427, equivalente internacional para água.
  • ISO 12162, classificação de materiais PE pelo MRS.
  • PAS 1075 e DIN 16833, referências para PE100 RC.

Para quem precifica ou projeta redes de saneamento em 2026, a pergunta prática não é mais "PE100 ou PE80". É "PE100 ou PE100 RC". A norma, o edital e o custo total puxam nessa direção.

Fontes técnicas

As tabelas de SDR, PN e espessura deste artigo seguem as normas NBR 15561 e ISO 4427. Os valores de MRS (PE80 = 8,0 MPa, PE100 = 10,0 MPa) seguem a ISO 12162.

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